Minha Lembrança do Penta

 É  indescritível a emoção de trabalhar na primeira Copa do Mundo, tanto mais se ela acontece do outro lado do planeta. Em 2002, fui com meu parceiro cinegrafista Júlio Aguiar para Coreia do Sul e Japão. Acompanhei a seleção brasileira e os brasileiros que a cercaram desde Ulsan, sua primeira parada, até Yokohama, onde foi campeã. Luiz Felipe Scolari tomou a acertada medida de misturar os jogadores às pessoas que circulavam no hotel. Nâo estavam encastelados, isolados, entediados. Respeitavam-se os horários de entrevista, mas conversava-se com seres humanos que, circunstancialmente, eram jogadores brasileiros a representar seu país num evento esportivo internacional. Deu muito certo. Nem encantador, nem pragmático, uma simbiose equilibrada de encanto e pragmatismo. Havia pragmáticos como Edmílson, Lúcio, Gilberto Silva e Kleberson, havia encantadores como Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.

Minha experiência especial desta Copa, além de cobri-la toda por onde andou o Brasil, foi na festa do penta. Aconteceu na boate do hotel onde estavam hospedados jornalistas e delegação brasileira. O samba ia alto na madrugada, Álvaro Sant’anna, cinegrafista da TV Globo, comandava uma roda animadíssima. Galvão Bueno, a voz do penta, tocava tamborim no palco e eu estava olhando para aquela cena e desfrutando o momento profissional de estar tão perto de um mito do jornalismo esportivo do Brasil na festa do pentacampeonato, que vi no estádio atrás da goleira inversa a dos gols de Ronaldo. Então, Galvão Bueno me viu – não me identificava à época ainda como colega de ofício –, abriu um sorriso e me ofereceu o tamborim que tocava. Foi um instante inesquecível que coroou o que eu estava vivendo. Retribuí o sorriso, aceitei o tamborim e fiquei algum tempo como parte da banda do penta.

Faz 15 anos, minha vida avançou em todas as direções e hoje segue a andar. Em parte, obedecendo ao meu comando. Noutra parte, por conta própria, feito correnteza. É uma boa lembrança para esta sexta-feira.Fonte:ge

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